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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

biopoder nos fanzines punk

Uma forma de colocar, explicitamente, o que sentimos e ao mesmo tempo é


também nosso divertimento (...) É uma forma de aliviar-nos por dentro, de acalmar,nossa agonia, de parar nossa dor interior. Pois tudo o que vemos de podre nessa


sociedade, nos dói muito, e temos (que), de alguma maneira, desabafar. Toda forma de expressão, nessa sociedade mantida pela mentira é vista como


loucura, algo a ser ridicularizado. Não sou louco, apenas consigo ver e sentir as

desumanidades dessa vida. Louco são os mentirosos dessa sociedade, c/ seus

condicionamentos, seus vícios burgueses sociais, seus machismos e moralismos...

dogmatismos.

Narrar a angústia de, não apenas ter sua vida condicionada, mas também seu discurso.
Talvez o punk esteja limitado demais em sua forma, no modo como contesta, nas


possibilidades revolucionárias que cria e aceita para si. A linguagem

provavelmente é uma barreira, por ficarmos tão preocupados em sermos

compreendidos deixamos de nos aprofundar. A necessidade de agradar talvez

atrapalhe também. Quem sabe seja necessária uma viagem por mundos

(submundos) e pensamentos fora do hardcore/punk, para conhecermos coisas

novas, aprimorarmos a crítica, confrontarmos as idéias e fazer do punk uma

ameaça real.Fazer um zine, pra mim, começa com esse sentimento de explosão. Começa com a


necessidade de espalhar idéias e do pensamento de que é preciso fazer mais. Um

dia abri os olhos e a luz me feriu por dentro. Desde então não tem sido fácil dormir,

todas as noites. Fazer um zine não deixa minhas noites mais tranqüilas, pelo

contrário, isso aumenta a intensidade da luz que me atinge e me afasta da paz queFazer um zine, pra mim, começa com esse sentimento de explosão. Começa com a


necessidade de espalhar idéias e do pensamento de que é preciso fazer mais. Um

dia abri os olhos e a luz me feriu por dentro. Desde então não tem sido fácil dormir,

todas as noites. Fazer um zine não deixa minhas noites mais tranqüilas, pelo

contrário, isso aumenta a intensidade da luz que me atinge e me afasta da paz queeu mesmo proclamo. Reconhecer que as coisas não estão bem e tomar uma posição


contra a correnteza é tornar sua própria existência uma guerra.
Você já pensou se todas as obrigações que você cumpre são mesmo necessárias?


Você já parou pra pensar sobre si mesmo, na sua existência? Você já imaginou que

tudo podia ser diferente? Cada vez mais eu vejo as pessoas ignorando as

possibilidades e se reduzindo a seres sem capacidade de questionamento.
Temos que considerar todas as coisas que fizemos, que realizamos, como


conduzimos nossos relacionamentos. Pensar nisso tudo vale a pena. Ultimamente

tenho parado pra pensar em um monte de coisas. Algo aconteceu que me fez

reavaliar minhas idéias. O que eu quero dizer é que estava decepcionado (...),

amargo, cansado. (...) Muitas coisas doem, muitas coisas machucam, e cabe a nósmesmos nos curar. Não desistir. Não desesperar. Ninguém mais fará isso por você.


Ninguém se importa. Ninguém dá a mínima.